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12-11-2025 |
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Juntos com os médicos do interior |
Cremesp demonstra mais uma vez seu pioneirismo e leva a Ribeirão Preto o 2º Treinamento de Inteligência Artificial em Medicina |
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O 2º Treinamento de Inteligência Artificial em Medicina do Cremesp reuniu, em 25 de outubro, mais de 400 médicos de Ribeirão Preto e de diversas cidades da região, no Taiwan Centro de Eventos. O encontro marcou a primeira edição do evento realizada em uma cidade do interior do Estado de São Paulo, consolidando a proposta da atual diretoria do Conselho de levar capacitação e atualização tecnológica a todos os médicos paulistas. Com o sucesso do evento, a entidade reafirmou seu compromisso em promover a atualização e a valorização dos médicos, diante das transformações tecnológicas que já influenciam o exercício da profissão, reforçando sua presença junto aos profissionais e seu papel como referência na formação ética, técnica e científica da classe médica. A abertura contou com a participação de três representantes do Conselho: o presidente do Cremesp, Angelo Vattimo, o 2° secretário, Wagmar Barbosa de Souza, e o conselheiro, Sandro Scarpelini, que destacaram a relevância do tema e da iniciativa da atual gestão do Conselho. Em seu pronunciamento, Vattimo ressaltou a importância de compreender o impacto da Inteligência Artificial (IA) na Medicina e de refletir sobre os novos paradigmas trazidos pela tecnologia. “A participação maciça de profissionais mostra como o tema é relevante e desafia nossa prática. Por isso, o Cremesp está levando esta discussão a todos os médicos do Estado. A IA nos coloca diante de perguntas inevitáveis: ela vai nos substituir? Não. O que nos diferencia como médicos é a bagagem e a experiência. Quando um programador transfere esse conhecimento para uma plataforma de IA, todos parecem estar no mesmo nível. Mas a IA atingirá quem não a compreender, quem não tiver senso crítico e domínio técnico. Nada será entregue pronto. Talvez em algumas áreas, mas não seremos substituídos, porém quem não usar a IA será”, afirmou. O conselheiro Wagmar Barbosa de Souza classificou o tema como “vanguardista” e destacou a importância de a classe médica acompanhar esse processo de transformação. Já Sandro Scarpellini, natural de Ribeirão Preto, ressaltou a relevância de o evento acontecer na cidade e de o Cremesp estar presente no interior. “O Conselho tem promovido atividades em todas as áreas da Medicina, visando compartilhar experiências com os médicos paulistas. Esta é uma oportunidade especial, pela importância do tema e por seu alcance prático. A IA já está entre nós e avançou muito. Precisamos entendê-la, pois é fundamental para nossos pacientes. Não sabemos se ela vai substituir o médico, mas é certo que não há retorno”, observou. Desvendando a IA A primeira palestra do treinamento, intitulada “Medicina 4.0 – Desvendando a IA”, foi ministrada pelo professor Augusto Salomon, presidente da Cirion Technologies, GMP por Harvard e mestre pela Ohio University. Salomon destacou que a Medicina será uma das áreas mais impactadas pela Inteligência Artificial e recomendou que os profissionais reservem ao menos 30 minutos diários para estudar e praticar com ferramentas de IA. “É um tema sério, mas que também pode ser divertido. Estamos vivendo uma disrupção — uma ruptura com o que existia até agora”, afirmou, exibindo vídeos que ilustraram os avanços da tecnologia. Um deles mostrou uma cabine na China, em que o paciente entra, coloca uma braçadeira conectada a um sistema de IA, e este determina se há necessidade de consulta médica, podendo inclusive emitir uma prescrição simples. Outro vídeo mostrou um equipamento desenvolvido pela Universidade de San Francisco (EUA) que devolve a voz a uma paciente com Síndrome do Encarceramento. Segundo Salomon, o ritmo de avanço da IA surpreende especialistas. “Antes se previa que ela ultrapassaria a inteligência humana em 2050, agora, a estimativa é 2027”. Ele definiu a IA como “informação abundante e capacidade de processamento absurda” e destacou que, em áreas como a radiologia, as transformações já são profundas. “Uma IA pode analisar 40 milhões de imagens médicas. Não dá para competir com isso. Mas o médico não perderá empregos para a IA — perderá se não souber utilizá-la”. Terapia Intensiva O segundo tema, “O uso da IA na Terapia Intensiva”, foi apresentado pela professora Roberta Fittipaldi, pneumologista do Hospital Albert Einstein e da UTI Respiratória do Incor/FMUSP, além de coordenadora de pós-graduação em Pneumointensivismo no Cetrus. Fittipaldi abordou o potencial da IA em monitorar pacientes críticos e auxiliar decisões em tempo real. Segundo ela, as ferramentas tecnológicas favorecem a comunicação interdisciplinar, reduzem erros de medicação e otimizam custos operacionais. “A IA não está tirando nossos empregos; está facilitando tarefas, trazendo rapidez e assertividade. Em um ambiente de alta tensão, ela ajuda a reduzir o peso emocional e a identificar assincronias em tempo hábil”, comentou. Desafios, possibilidades e soluções O biomédico Aydamari Faria Jr., doutor em Fisiologia pela UFRJ e administrador do site iaemedicina.com.br, abordou o tema “IA aplicada à saúde: desafios, possibilidades e soluções”. Após contextualizar os avanços da IA, explicou o conceito de IA generativa, comparando seu funcionamento à previsão de palavras em frases, como no exemplo “O céu é o Porém, Aydamari alertou para o fenômeno das “alucinações”, quando os chatbots geram informações incorretas, e para a falta de transparência das fontes utilizadas, o que deu origem ao termo “black box”. Ressaltou que tais limitações podem causar sérios riscos, principalmente em contextos médicos e que é fundamental saber quando usar ou não essas ferramentas. “Mesmo poucos dados ruins podem contaminar um grande volume de informações boas. É um problema que exige responsabilidade ética e discernimento técnico”, alertou. Gestão de pessoas Encerrando o evento, o farmacêutico e gestor Marcelo Menino, sócio-proprietário do Fleming Saúde, de Jundiaí, abordou o tema “O uso de IA na gestão de pessoas”, propondo uma reflexão sobre como a tecnologia pode auxiliar na escolha de funcionários e na composição de equipes e lideranças, em consultórios médicos, clínicas e hospitais. “Falamos muito sobre a IA aplicada à Medicina, mas e as pessoas?”, questionou o palestrante. Segundo ele, a tecnologia pode ajudar a “encontrar a pessoa certa para o lugar certo”, seja na recepção de um consultório ou em cargos de gestão. Ele utilizou o Método DISC — que avalia perfis de dominância, influência, estabilidade e conformidade —, criado pelo psicólogo norte-americano William M. Marston, e explicou como essa ferramenta pode aperfeiçoar a liderança e a coesão das equipes. Sucesso absoluto O 2° Treinamento sobre IA na Medicina veio após o grande sucesso da primeira edição, feita na capital paulista pelo Cremesp. Na ocasião, mais de mil médicos estiveram presentes, o que consagrou a iniciativa do Conselho como o maior evento médico sobre IA do Estado de São Paulo. A atual diretoria do Cremesp reafirma seu compromisso em oferecer aos médicos aprendizado contínuo e de qualidade.
CREMESP – Movimento de educação médica do Estado de São Paulo
Fotos: Osmar Bustos
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